Vitalino Fagundes agradece o apoio da cidade ao longo da época
“O público praiense é fabuloso!”
As gentes da Fonte do Bastardo estão orgulhosas com a inédita façanha da A.J.F.B. A proeza da equipa de voleibol é comentada por toda a gente, e na modesta mas muito acolhedora sede do clube mais representativo da Praia da Vitória, fomos muito bem recebidos, tal como já é apanágio nesta formação insular.
Vitalino Fagundes é uma pessoa pacata, serena e humilde; pelo menos são esses os adjectivos que saltam à vista após um breve contacto com este homem. Ao longo de uma amena conversa ficámos a conhecer um pouco de uma das pessoas ajudou a pôr a Fonte do Bastardo no roteiro das melhores equipas do voleibol nacional. Trabalha há 26 anos na Sata, é benfiquista convicto e diz com orgulho que é o associado nº2 da Casa do Benfica na Terceira, e sócio efectivo dos encarnados há muitos anos. Aliás, o nosso entrevistado nem escondeu a sua simpatia pelo grande clube da capital, pois por cima do seu maço de tabaco ostentava um isqueiro do clube da águia. Todos os dias quando abandona o aeroporto das Lajes, dedica cerca de 5 horas à Associação de Jovens da Fonte do Bastardo, de quem é sócio desde a fundação do clube.
É casado, tem dois filhos, gosta de ler jornais, e de ver bons programas de televisão excepto as pimbalhices que têm invadido as televisões nos últimos anos. Gosta de ouvir Rui Veloso e Madre Deus e a nível regional adora cantigas ao desafio. Já que gosta deste género de cantigas desafiámos Vitalino Fagundes a falar do presente e do futuro da formação bastarda, mas aí o presidente da AJFB não foi em desafios, e respondeu sempre com a máxima prudência…Diário Insular/Desporto (DI/D)- Qual o segredo do sucesso da AJFB?
Vitalino Fagundes (VF)- O sucesso da AJFB já vem de longa data, e divide-se em duas fases. Uma que já vem de há 30 anos para cá, e outra mais recente que começou há 5 anos, com a excelente campanha da equipa nos nacionais coroada com a ascensão à divisão maior do voleibol nacional. O sucesso tem sido baseado em muito trabalho, dedicação e honestidade. Como estou ligado ao clube desde a sua fundação, tenho de esclarecer uma questão de uma vez por todas – Eu aqui sou apenas uma peça do puzzle, e por sinal já sou uma peça enferrujada (risos), e se chegámos até aqui foi devido ao esforço dos associados, direcção, atletas da equipa e todos aqueles que contribuíram para esse sucesso tal como os patrocinadores, simpatizantes, claque, habitantes da Fonte do Bastardo e de toda a ilha…Todos eles contribuíram para chegarmos até aqui! Quanto ao sucesso mais recente, o aparecimento de um patrocinador com bastante relevância como o Luís Vicente foi factor decisivo para cimentar o êxito desportivo.
DI/D - Até onde poderá ir a AJFB na Divisão Carglass? O ano passado o objectivo era subir à Divisão Carglass, e este ano, qual é a meta?
VF- Embora o objectivo ainda não esteja bem definido, posso assegurar-lhe uma coisa: Não queremos ser um clube de passagem na divisão Carglass, isto é, não queremos subir e depois descer à divisão A2 no ano seguinte. Vamos trabalhar com seriedade como temos vindo sempre a fazer, tendo como objectivo uma manutenção tranquila, e para tal vamos lutar pelos lugares acima do 8º lugar para evitar riscos. Óbvio que quanto mais subirmos na tabela classificativa, melhor!
DI/D- Depois da polémica que houve, como estão as relações da AJFB com o Machico?
VF- Estão perfeitamente normais! Deixe-me dizer-lhe que este processo nem teve muito a ver com o Machico, mas sim com a Federação Portuguesa de Voleibol. Claro que o Machico não cumpriu com as suas obrigações que era comprar os bilhetes com a devida antecedência, mas a partir daí quem devia ter a obrigação de punir os madeirenses com falta de comparência, era a federação. Devo acrescentar que antes da polémica tive a oportunidade de conversar com o presidente da equipa madeirense que pretendia adiar o jogo. Obvio que recusámos pois já era a 2ª vez que tentavam adiar o confronto, e ele próprio disse que compreendia perfeitamente a minha posição. A partir daqui ele desencadeou o processo de adiamento com a federação, e pelos vistos parece que teve êxito…
DI/D- A aposta no professor Resende foi uma aposta ganha pois a equipa subiu de divisão. Até quando pode durar este casamento entre a AJFB e o técnico Luís Resende? Como é que surgiu o interesse por este conceituado técnico?
VF- A aposta no professor Resende já vem de épocas anteriores, pois ele é amigo de longa data do Pedro André, e sempre foi muito prestável para connosco no planeamento de cada época desportiva, dando a sua importante opinião relativamente à escolha de jogadores. Considerando que ele ia abandonar o Castêlo da Maia, fizemos-lhe uma abordagem dando conta do nosso interesse em tê-lo à frente da nossa equipa para fortalecer o projecto de subida de divisão. Fizemos um esforço bastante grande para o trazer para cá, e felizmente o recente êxito da equipa acabou por confirmar que a vinda dele foi uma aposta ganha! Já agora posso desde já confirmar a continuidade dele para a próxima época. Luís Resende e Pedro André continuarão a ser a nossa dupla técnica!
DI/D- Mas parece que a renovação do contrato esteve difícil…
VF- Sim, mas foram por questões meramente pessoais relativas à sua vida pessoal. Repare que Luís Resende está longe da família que reside em Espinho. Ele está cá sozinho e isso gerou alguns entraves na sua continuidade. Felizmente a situação acabou por se resolver, e para o ano teremos novamente o prazer de o ter na nossa companhia.DI/D- A Divisão Carglass vai acarretar mais despesas para os cofres do clube. A AJFB está preparada para esse novos desafios financeiros? Relativamente à época passada, já conseguiram novos patrocínios?
VF- Com uma nova etapa na vida do clube, teremos de apostar em jogadores diferentes que concerteza irão acarretar mais despesas, mas estamos preparados para isso. A nível organizativo poderemos ter mais algumas despesas, mas não serão muito diferentes das do ano passado, pois a nível de deslocações e estadias funcionámos em pleno, e tratámos os nossos atletas e técnicos de uma forma que os clubes da Carglass não tratariam melhor… Claro que a nível de material humano que iremos por à disposição dos técnicos, teremos de fazer uma aposta maior…
DI/D- Alguns jogadores brasileiros afirmaram publicamente que gostavam de trazer as respectivas esposas para os Açores. A AJFB tem condições financeiras para alugar casa a esses jogadores que querem fazer uma vida separada dos colegas?
VF- Em primeiro de tudo, esses jogadores terão de saber se continuarão na equipa, algo que ainda não está definido; e depois isso é uma questão que se poderá eventualmente colocar aos futuros jogadores que representarão a equipa… Temos a melhor relação com todos os nossos jogadores, formaram um grupo de trabalho formidável; tanto como jogadores ou como homens, ficámos surpreendidos com as qualidades deles, mas não sei se continuarão connosco na próxima época …
DI/D- Mas está a querer dizer que nenhum dos brasileiros que aqui jogou na época passada irá continuar?...
VF- Neste momento nada lhe poderei adiantar a esse respeito! O que lhe digo é que estamos no mercado, e que lá para finais de Junho princípios de Julho, já teremos algo em concreto relativamente a novos jogadores. O professor Resende é que está com essa tarefa nas mãos, apesar da direcção ter também uma palavra a dizer.Brevemente teremos novidades. Obvio que não podemos entrar em loucuras, e não podemos contratar jogadores que acarretem despesas acima do orçamento. Estamos a tentar angariar novos patrocínios para a época que aí vem, mas isso são assuntos sempre morosos. Não estamos à espera daquilo que iremos ter, mas sim daquilo que temos!
DI/D- Quais os jogadores açorianos que irão continuar no clube?
VF- Vamos apostar num ou noutro jogador das escolas do clube, mas em princípio tudo indica que o Paulo Paiva, Miguel Pinheiro e Paulo Machado representarão os jogadores da terra no plantel da próxima época.DI/D- Como tem sido a ajuda das forças políticas da região?
VF- O apoio do Governo regional tem sido muito bom e importante para o êxito da equipa. A nível da Câmara Municipal, na época passada achamos que o apoio não foi o suficiente; mas pelos contactos que já tivemos, julgo que os apoios serão maiores no próximo ano…
DI/D- Mas a próxima época vai começar em altura de eleições autárquicas…
VF- Já tive contactos com o candidato do partido socialista, e posso dizer que tanto continue o PSD ou vença o PS, temos as melhores relações possíveis com Clélio Menezes e com Roberto Monteiro. Aliás conheço ambos, são duas pessoas abertas, e posso dizer que tanto um como outro irão fazer bastante pelo concelho, e sei que ambos têm um carinho muito especial pela A.J. Fonte do Bastardo, e por isso teremos um apoio conveniente, dentro das possibilidades da autarquia.
DI/D- O voleibol é a única modalidade desportiva da AJFB?
VF- Não, temos uma equipa de futsal, mas a equipa é autónoma e só usa o nosso nome para as competições. Eles gerem as próprias despesas sem contarem com o nosso apoio financeiro.
DI/D- Fale-nos um pouco das pessoas que estão por trás do sucesso da equipa.
VF- Temos uma direcção constituída por 5 pessoas: Eu, a Nélia Nunes,o Nigidio Coelho, José Lisuarte e o Duarte Lima. A Nélia e o Duarte Lima tratam das questões relacionadas com o voleibol, o Nigidio e o José tratam dos assuntos relativos à sede social do clube. Todos nós temos os nossos trabalhos, mas ao fim do dia dedicamos sempre algum tempo à AJFB. A Nélia dispensa comentários, esteve muito activa durante a época, sempre ao lado da equipa. O Duarte Lima dá assistência nos treinos e nos jogos. Posso adiantar-lhe desde já que vamos ter um secretário geral a acompanhar a equipa a tempo total, que quase de certeza será o Francisco Oliveira, que já foi árbitro da AVIT. Ele este ano era coordenador dos escalões de formação, e para o ano estará com a equipa a tempo total, pois obviamente que a este nível as exigência serão maiores, e precisamos de alguém a tempo inteiro para eventuais problemas que apareçam. Também posso revelar que estamos em vias de contratar os serviços de um fisioterapeuta a tempo inteiro para solucionar eventuais lesões que os nossos atletas venham a ter ao longo da época. Essas serão algumas das melhorias que pretendemos fazer a breve prazo, mesmo tendo em conta que haverá eleições muito em breve para novos corpos directivos na Associação…
DI/D- Pois, mas depois de um êxito destes, acho que o sr.Vitalino não terá a mínima dificuldade em vencer…
VF- (risos) Nunca se sabe! Possivelmente nem irá aparecer nenhuma lista a concorrer pois sabe que em colectividades de freguesias é sempre difícil aparecerem pessoas interessadas a candidatarem-se à presidência. Eu vou apresentar a minha lista com uma ou outra alteração em relação à actual, e logo se verá …DI/D- O sr.Vitalino vai sempre aos jogos da equipa? Qual foi o jogo que mais lhe fez sofrer?...
VF- Sim vou! Este ano fui a todos os jogos. No princípio ficava sentado na bancada num local discreto, no ponta final do play-off já me sentei com a nossa claque, As Doidas, para ajudar a apoiar a nossa equipa! Curiosamente não fui ao jogo em que sofri mais, que foi contra o Machico na Madeira. Estava bastante apreensivo pois tínhamos sido derrotados em casa, mas nunca deixei de confiar na capacidade dos nossos atletas e da equipa técnica, e eles acabaram por vencer e trazer a decisão para a nossa casa! Claro que esse derradeiro jogo em que eliminámos o Machico também foi decisivo e importante, tanto a nível desportivo como económico!
DI/D- Segundo sei quando a AJFB vai jogar ao continente fica hospedada no centro de estágio do Esmoriz, que é uma das melhores formações da divisão Carglass? Para o ano irá continuar a ser assim?
VF- Sim, nós pagamos a estadia e alimentação nesse centro de estágio e tudo indica que assim continuará a ser. Grande parte dos clubes da liga principal estão no norte, por isso os nossos atletas ficam hospedados no centro de estágio do Esmoriz, com quem temos as melhores relações.
DI/D- Na época passada as pessoas podiam assistir aos jogos da AJFB gratuitamente, mas para o ano parece que os bilhetes terão de ser pagos. Não receia que esse facto afaste as pessoas dos jogos?
VF- Ainda não lhe posso assegurar se serão pagos ou não. Mas se forem será uma quantia irrisória, e não será por causa disso que as pessoas se afastarão de nós. Será uma quantia muito pequena que servirá para pagar o policiamento nos jogos, pois na divisão Carglass todos os jogos têm de ter a presença das forças da ordem.
DI/D- Para quando está prevista a construção do novo pavilhão? A AJFB vai deixar de jogar no pavilhão da Vitorino Nemésio?
VF- Está previsto para Agosto ou Setembro, pelo menos é o que a autarquia nos garante. Numa primeira fase o pavilhão servirá para a equipa treinar-se duas vezes por dia, pois as responsabilidades serão maiores e só um treino diário não será suficiente. Seria um risco abandonarmos o pavilhão da Vitorino Nemésio, pois o público praiense aderiu muito bem ao voleibol, e a prova disso foram as numerosas assistências que tivemos ao longo do ano, que espero francamente que se venham a repetir na próxima época. O público praiense é fabuloso!
DI/D- Para terminar, como está o projecto da equipa de voleibol feminino?
VF- É um sonho recuperar a nossa equipa de seniores femininos que já deixou de existir há muitos anos. Para isso teríamos de contratar jogadoras que jogam em outras equipas, mas por enquanto nada ainda está definido. Estamos com muita vontade de voltar a competir novamente nesse escalão, mas nada de pressas, as coisas têm de ser feitas com método e ponderação. Por enquanto não há ainda nada de concreto, e como já reparou só gosto de falar com certezas!
Carlos do Carmo (Diário Insular)
21 Maio 2005
VITALINO FAGUNDES- Entrevistado pelo Diário Insular
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